Baú de viagens: As viagens de infância que me tornaram quem sou

Foto de Mathieu Marquer [www.flickr.com/photos/slasher-fun]

Eu mal tinha acabado de sair do colo quando meu passaporte foi carimbado pela primeira vez.

Disney? Que nada! Com pouco mais de 2 anos de idade desembarquei no Iraque.

Embora eu não lembre nada das minhas primeiras viagens, acredito que, no fundo, ter começado minha carreira de viajante internacional mirim num país tão inusitado me tornou uma pessoa receptiva a qualquer viagem. Hoje, as viagens fora da caixinha são as que mais me encantam. Tailândia, Vietnã, Cuba e Nova Zelândia são apenas alguns dos destinos que mais gostei!

Com meus pais vivendo em estados diferentes desde que eu tinha 6 anos de idade, nada mais justo que minha infância tenha sido marcada por viagens. Entre morar com um e visitar o outro, morar com outro e visitar o um, foram muitas horas de ônibus entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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Turistando na cidade natal, Congonhas/MG. O local continua o mesmo, mas os meus cabelos…

Não faço ideia de quantas vezes cruzei as fronteiras dentro da região sudeste. De qualquer sorte, mesmo lembrando bem pouco, essas viagens da infância plantaram em mim uma semente que germinou: a do espírito explorador.

Tiveram ainda as idas à Guarapari – a praia dos mineiros -, as férias na casa da madrinha e tia em Brasília, as visitas aos avós paternos na rústica e pacata Barra do Sahy. Era quando o toca fitas do carro alternava interminavelmente entre as fitas de Lulu Santos e Engenheiros do Havaí da minha irmã. Até hoje sinto que ela foi a culpada do meu gosto musical.

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Pois é, sou desse tempo

Essa “vasta experiência” entrou meu currículo ainda cedo. Aos 13 anos, eu já lembrava disso tudo saudosamente. Deixei o sudeste para trás e me mudei de mala e cuia para “São, São, São, São Luís do Mará” – aquela da música , que eu cantava antes mesmo de saber onde ficava.

Perdoem-me, apesar da vida nômade, geografia não era meu forte.

Da minha primeira viagem de avião sozinha eu lembro bem. Eu já morava com meu pai em São Luís e estava indo passar férias na casa da minha mãe. Era o tempo da Varig,  naquela época em que não se pagava até para usar o banheiro da aeronave. Ainda tínhamos os deliciosos sanduíches, bebidas, balinhas e tudo mais. Acredita que era possível até despachar uma mala sem pagar? É, eu sei. Os tempos mudam.

Tinha tudo à minha disposição, mas eu não conseguia pensar em nada. A banda pela qual eu tinha aquele total fascinio adolescente estava no meu voo e eu tinha olhos apenas para o tecladista. Por que ele? Sei lá, pra ser diferente, talvez. O grupo tinha feito um show na minha cidade – no qual eu também estive, sozinha, algumas horas antes – e meu ídolo estava ali, sentado algumas poltronas a minha frente.

Algum tempo depois, me dei conta de que a tripulação se preparava para o pouso. O lanche já não seria mais possível, passou por mim enquanto eu sonhava – não sei se dormindo ou acordada.

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Primeira excursão da escola

Desci do avião em São Paulo e segui para a área de conexão. Naquele tempo, a gente não ficava livre para explorar o aeroporto. Ficava confinado nas salas de embarque até o próximo vôo. Dei sorte. Os meninos da banda também aguardavam conexão. Aproveitei o tempo livre para guardar a vergonha na mala e pedi autógrafos, abraço e tudo mais. Do filme de 24 poses que eu levava, reservei umas 5 para usar durante as férias. Pura sorte.

Eu não contava que pouco depois da banda embarcar rumo ao próximo destino, conterrâneos chegariam pra aguardar comigo o vôo para Belo Horizonte. Era uma turma alegre e falante, com aquele sotaque mineiro que a gente reconhece de longe. Nada mais, nada menos que a banda Skank: outra banda que eu amava. Naquele momento, eu já estava treinada na tietagem e os 20 minutos ao lado dos ídolos renderam tanto quando as poses que eu tinha deixado na câmera do meu pai. Quem precisa tirar fotos quando passa férias na casa da família, né?

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Tietando o Samuel Rosa, do Skank

Tenho certeza que aquele vôo não marcou a história do Samuel Rosa. A minha minha mente adolescente, entretanto, ficou tão abalada que cheguei em Belo Horizonte e comprei um CD de cada – e decorei todas as músicas novas só lendo a letra. Nada de ouvir o CD. Na minha pequena cidade do interior de Minas, ainda se vivia a era dos discos e fitas.

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2 Comentários

  1. Que relato poético, Rê. S2 Fiquei curiosa sobre qual foi a primeira banda que você tietou… tá no texto ou era pra perguntar mesmo? =)

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