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Christchurch – A cidade da Nova Zelândia que eu deveria odiar

Sabe aquelas atrações imperdíveis de uma cidade? Aquelas do tipo “nossa, mas você tem que ir lá!”. E se você olhar a lista e não quiser visitar nenhuma delas? Dá pra gostar da cidade mesmo assim?

Pois é, aconteceu comigo.

Visitando Christchurch

Eu sabia que Christchurch, cidade da Nova Zelândia, tinha um toque inglês e que passar por lá poderia ser legal.

Sabia que eu tinha tudo pra curtir a cidade e como não tinha planos fixos e tinha tempo de sobra no país, fui pra lá quando surgiu uma oportunidade: sem planos, sem roteiro, só para curtir a cidade.

Centro de informações turísticas

Fomos até o centro da cidade e encontramos os centros de informações turísticas, aqui conhecidos como i-Site. Costumo gostar bastante de visitar esses centros, especialmente quando não tenho planos muito fixos na cidade. Normalmente recebo excelentes dicas.

O i-Site de Christchurch se mudou recentemente para dentro de uma construção inglesa linda, recém restaurada. Entramos e ficamos olhando os diversos folhetinhos de atrações. Meu marido foi pedir informações sobre os festivais que aconteceriam aquele fim de semana.

Atrações imperdíveis – não quis visitar nenhuma!

Enquanto isso, eu catei um folhetinho que prometia: 6 Must-do attractions in Christchurch (6 atrações obrigatórias em Christchurch). Olhei, olhei e olhei… e simplesmente não quis visitar NENHUMA delas.

Passei por alguns minutos num dilema interno. Como eu posso não querer visitar nenhuma das atrações obrigatórias? Será que eu não deveria ter vindo até aqui? Vou odiar a cidade?

Confesso que depois de um tempo viajando, a gente começa a ficar sem paciência para visitar aquelas atrações turistão. Além disso, tem muita coisa que se repete no mundo inteiro – viu em um país, não precisa ir de novo nos outros (Sea Life, Madame Tussauds e cia).

City Tour no trem - Uma das atrações imperdíveis de Christchurch.
City Tour no trem – Uma das atrações imperdíveis de Christchurch que eu não quis visitar. Fonte: http://www.flickr.com/photos/joceykinghorn/11953123923/in/photostream

Visitar atrações turísticas é diferente de conhecer uma cidade?

Eu olhava para aquele folheto e não conseguia ver uma Christchurch autêntica. Só via atrações exclusivamente criadas para os turistas orientais gastarem sua grana, subindo e descendo de um bonde com 17 paradas incríveis por toda a cidade.

Saí um pouco frustrada daquele centro turístico e fomos andar pela cidade.

Passamos por um centro comercial muito legal. O Re:Start foi reconstruído com contêineres depois dos terremotos de 2010/2011. Um lugar alegre, colorido, daqueles onde você se sente bem, sabe?

Re:Start Mall - Christchurch
Re:Start Mall – Por Grey Geezer (Own work) [CC BY-SA 4.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)], via Wikimedia Commons
Pessoas conversando nos banquinhos, sentadas na beira do rio, jogando pinguepongue nas mesinhas que foram colocadas para o verão.

Havia turistas por ali? Com toda certeza. Mas não me parecia um lugar fabricado.

Fomos andar por um parque e não vimos nenhuma multidão andando de um lado pro outro com uma câmera no pescoço. Por outro lado, pessoas faziam caminhada após o trabalho, na companhia de seus cães.

Pedi informações para um guarda sobre o banheiro mais próximo e acabei parando na Cathedral Square, onde a catedral da cidade ainda exibe os sinais do terremoto (assim como outras construções das redondezas).

Como uma praça daquela pode não estar entre as atrações obrigatórias? Uma praça que mostra o sofrimento real daquela cidade, mais de 5 anos depois, ainda lutando pela sua reconstrução.

 

Catedral de Christchurch - Devastada pelo terremoto e não faz parte das atrações imperdíveis da cidade
Catedral de Christchurch – Devastada pelo terremoto e não faz parte das atrações imperdíveis da cidade

Dá pra gostar da cidade sem visitar as atrações imperdíveis?

No fim, passei mais dias em Christchurch do que quase todos os outros locais da Nova Zelândia. E não precisei visitar nenhuma daquelas 6 atrações obrigatórias para sair completamente apaixonada pela cidade.

Cheguei à conclusão de que não, não tem nenhum problema se você não quiser fazer o que todo mundo faz.

Renata Marques

Nascida em Minas Gerais, filha de mãe mineira e pai paulista, passou parte da infância no Rio de Janeiro, morou em João Pessoa, fez intercâmbio em Londres e atualmente estuda uma possibilidade de se mudar de São Luís, onde já viveu por quase metade da vida. Mãe desde muito nova, filha desnaturada, esposa esforçada. Apaixonada por viagens e paisagens naturais. Servidora pública, fotógrafa e blogueira e em 2017 fez uma volta ao mundo de 1 ano com a família.

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