Catedral de Notre-Dame: O que se perde com esse incêndio

Eu não costumo escrever posts emotivos aqui no blog. No entanto, hoje, não consegui me conter. O incêndio na Catedral de Notre Dame corta o coração de qualquer viajante!

Minha história com a Catedral de Notre-Dame

Eu nunca fui aluna exemplar nas aulas de História. Pelo contrário, era aquela que ao fim do ano tinha que estudar dobrado para conseguir passar de ano. Não tinha o menor interesse pelas aulas e nenhum professor conseguiu me fazer despertar essa curiosidade.

Não tinha jeito, eu pertencia aos números.

Entretanto, por alguma razão maluca da minha mente, eu me lembro em detalhes de um trabalho em equipe que fiz sobre a Catedral de Notre-Dame.

Dos amigos da equipe, tem uns que nem sei por onde estão. Eu não tive mais nenhum contato quando esse ano acabou: era 8ª série do Ensino Médio.

Embora tenha essa memória de uma folha de papel, eu lembro desse trabalho. Da casa onde nos reunimos, em frente ao computador – que na época era raridade – para montar uma apresentação atrativa. Eu diria que ela foi tosca, mas ao menos serviu ao propósito de ensinar a uma adolescente a importância da Catedral de Notre-Dame.

Lembro bem que eu fui responsável por apresentar a parte referente aos vitrais. Eu precisava de uma nota muito boa – geralmente compensava a falha nas provas, com os trabalhos, então estudei a fundo. Eu diria, sem muito medo de errar, que os vitrais da Catedral de Notre-Dame é um dos poucos temas que eu lembro de ter estudado naquelas aulas de história.

Minha primeira vez na Catedral

Em 2013, nos primeiros dias de abril, visitei Paris e a Catedral de Notre-Dame pela primeira vez. Embora meu coração já pertencesse a Londres, foi uma viagem de emoções bem fortes.

Dentre muitos momentos que marcaram nessa viagem, eu lembro muito fortemente da luz passando pelos vitrais da Catedral de Notre-Dame. Que impressionante.

Talvez o fato de eu estar embasbacada com os detalhes da fachada justifique o fato de eu ter pouquíssimas fotos no local. Aliás, a ausência de fotos se repetiu, quando estive novamente, em 2015. Impressionada, mais uma vez.

Incêndio na Catedral de Notre-Dame

Corta pra 2019. Um ano difícil, marcado por várias tragédias em tão pouco tempo. Enchentes, o Museu Nacional, Brumadinho, os meninos do Flamengo e algumas outras entristeceram o Brasil e o mundo.

E hoje, a Catedral que – por mais 850 anos – resistiu a guerras e revoluções, foi atingida por um incêndio de proporções espantosas. Desde que eu vi a primeira notícia, não consegui deixar de acompanhar. Assisti quase em pânico, o momento em que a torre desabou. Torci para que o fogo fosse controlado com rapidez.

Mas infelizmente, os estragos foram enormes. Mal dá pra acreditar.

O que pode ter se perdido no incêndio da Catedral de Notre-Dame

Ainda não se sabe precisamente tudo o que foi destruído, mas temos certeza que foi muito.

  • Os tão impressionantes vitrais;
  • Símbolos e relíquias da Igreja Católia, como fragmentos da coroa de espinho e da cruz de Jesus Cristo;
  • Um incrível órgão musical do século XVII;
  • Dezenas de obras de arte;
  • As imponentes gárgulas;
  • Toda a estrutura em madeira esculpida e detalhada;
  • Os bancos de couro trabalhadíssimos da igreja;
  • Tapetes e lustres e muito mais.

Não, eu não sei dimensionar o tamanho dos estragos. A perda do patrimônio. A memória que foi destruída. Sou ruim em história, lembram?

Ainda assim fico esperando, apreensiva, o fim desse triste capítulo na história da Catedral de Notre-Dame. Definitivamente, as aulas de história não serão mais as mesmas.

Renata Marques

Nascida em Minas Gerais, filha de mãe mineira e pai paulista, passou parte da infância no Rio de Janeiro, morou em João Pessoa, fez intercâmbio em Londres e atualmente estuda uma possibilidade de se mudar de São Luís, onde já viveu por quase metade da vida. Mãe desde muito nova, filha desnaturada, esposa esforçada. Apaixonada por viagens e paisagens naturais. Servidora pública, fotógrafa e blogueira e em 2017 fez uma volta ao mundo de 1 ano com a família.

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