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Minimalismo: significado, experiência e um marco

Quando recebi um convite da minha esposa em setembro de 2015 para largar meu emprego e dar a volta ao mundo eu pensei: “Como vamos viver sem meu salário e renda? Ou essa mulher bateu a cabeça ou ganhamos na loteria e ela vai me contar agora”. Sentamos à mesa e ela me apresentou uma proposta com argumentos e números. Não imaginava que, a partir dali, nosso estilo de vida teria um novo significado: minimalismo.

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O que é Minimalismo?

Antes de mais nada, meu pedido é que você abra sua mente e seu coração. Se você nunca ouviu falar sobre estilo de vida minimalista, quero dizer também que não existe o estilo correto. O que existe mesmo é o melhor para você ou para o momento que você está vivendo. Você está 100% feliz com seu estilo de vida atual? Perfeito. Ou será que vale a pena pensar numa alternativa e fazer novos planos?

Minimalismo é ter MENOS.

Ter menos coisas, ter menos atividades, ter menos estresses.

Minimalismo é enxergar além do materialismo a que nós somos diariamente bombardeados pelas estratégias de marketing das empresas.

Minimalismo é se perguntar e enxergar o sentido dos nossos consumos e hábitos.

Minimalismo e o seu significado

Minimalismo: estilo de vida

Eu tinha uma vida “quase normal” como a maioria dos nossos amigos de trabalho e de mesmo padrão social. Eu era engenheiro e trabalhava numa multinacional brasileira, e Renata, funcionária pública.

Digo que tínhamos uma vida “quase normal” porquê Renata sempre me convenceu (sabiamente) a vivermos de 1 a 2 degraus abaixo do que a nossa faixa salarial nos permitia. Esse “viver abaixo” significava não gastar num carro grande e nem numa casa ou apartamento maior.

Toda vez que me batia a vontade de trocar de carro por um “mais novo, melhor e maior”, ela falava: “Amor, a gente tem condição de trocar de carro sim. Atrelado a isso vamos ter um seguro mais caro, gastar mais com combustível, mais com manutenção, desvalorização do veículo maior, eeeee, vamos viajar menos”.

Confesso que ela nem precisava dos primeiros argumento. Bastava mencionar a frase “Viajar Menos” que eu já me convencia. Ela utilizava dos mesmos argumentos quando eu falava que queria um apartamento maior: “Vamos pagar mais IPTU, maior taxa de condomínio, mais manutenções, eeee, vamos viajar menos! Além disso, podemos alugar os apartamentos mais lindos do mundo pelo Airbnb com a vantagem de que não precise se preocupar com nem uma torneira de pia ou vazamento de água.”

Nossa viagem de 2017 foi o marco para começarmos um estilo de vida mais minimalista.

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Minimalismo vs consumismo

Durante nossa volta ao mundo, aprendemos muito sobre o consumismo na Nova Zelândia e nos países asiático.

Na Nova Zelândia, sentimos um esforço bem interessante para evitar o consumismo exagerado. Nós refletimos sobre isso quando fomos numa papelaria e vimos que TODOS os cadernos eram iguais, mudando somente a cor da capa. Sabe aqueles caderno Tilibra? Pois é, desse jeito.

Assim, o neozelandês não precisava pagar mais caro para ter aquela imagem do super herói na capa do caderno e as crianças não precisavam exibir seus SUPER caderno para as outras crianças. Não sei se mudou algo de 2017 para cá, mas isso nos chamou muita atenção na época.

Observamos alguns comportamentos de minimalismo também no sudeste asiático, onde tivemos nosso primeiro contato com várias religiões. Dentre as religiões que mais me encantou foi o Budismo e sua forma simples de viver a vida. Os monges abdicam do TER para simplesmente SER.

O Butão, por exemplo, é considerado o país mais feliz do mundo. Eles são felizes porque possuem tudo o que realmente precisam. Nada mais interessa. Eu os conheci durante uma das minhas viagens e eles parecem realmente felizes.

+ Leia também: Uma viagem pelo Butão, o país da felicidade
Butão, o país da felicidade. Minimalismo.

Na Tailândia eu conheci uma família brasileira onde o patriarca tinha acabado de pedir as contas de uma multinacional com sede nos Estados Unidos. Ele me relatou que não aguentava mais o mundo corporativo e que aquele estilo de vida não fazia mais sentido pra ele. Na época, eu disse pra ele que eu tinha um fascínio muito grande pelos EUA e que eu não sabia explicar o porquê desse sentimento. Ele me falou: “Os EUA é a terra do TER. Lá nos EUA é muito fácil você ter as coisas. Fácil e barato. O estímulo ao consumo é exagerado. Imagine que você queira comprar um produto. Esse produto custa 10 dólares se você levar 1 ou 11 dólares se vc levar 2. Quantos você vai levar pra casa?”.

E é assim que os americanos ficam enchendo suas garagens de coisas que talvez nunca utilizem em suas vidas. 

Finalmente eu descobri o motivo e tive que ir tão longe para descobri: Os EUA é a terra do TER. Nesse momento de vida eu só quero SER.

Reflexão: será que existem formas de ser feliz sem ser através do consumismo? Pare, reflita e veja o que pode ou não fazer sentido pra você.

Mau hábito e o gatilho da recompensa

No começo de nossa vida a dois, eu e Renata tivemos que fazer muitas escolhas para sobreviver mês após mês. Nossos primeiros trabalhos nos rendiam um pouco mais de um salário mínimo na época para sustentar a casa e a nossa filha. Tínhamos uma premissa de sempre guardar um dinheirinho no final do mês e quase sempre conseguíamos esse objetivo. 

Um dos maiores gatilhos mentais que normalmente as pessoas usam como argumento para consumir mais e criar dívidas sobre dívidas é: “Eu trabalho demais e mereço comprar um carro melhor e um apartamento maior”. Sim. É verdade. Esse é o gatilho da recompensa que justifica o mau hábito: eu mereço e ponto final

Eu também quase caí nesse gatilho. Lembra que eu disse que de vez em quando vinha uma vontade de trocar de carro e apartamento? Pois é, Renata foi e é muito mais forte do que eu nessa questão financeira e sou muito feliz por sempre escutá-la e tomarmos essas decisões juntos.

Como adotar um estilo de vida minimalista?

Antes de iniciar nossa viagem de volta ao mundo, nós vendemos praticamente tudo o que tínhamos dentro do nosso apartamento e que não caberia em nossas malas.

Vendemos livros, raquete de tênis, roupas, sapatos, violão, camas, televisão, carro,… outros itens nós simplesmente doamos para igrejas e instituições. Nos demos conta nessa época o tanto de COISAS ACUMULADAS e que a séculos não utilizávamos. A gente guardava somente pelo APEGO material e porque “talvez seja útil um dia”

Quando voltamos de viagem, a vontade de continuar viajando ainda era muito maior do que o material e fizemos algumas considerações para o nosso atual momento de vida. Uma das maiores decisões que tomamos foi de não voltar a ter carro no momento. Estamos vivendo sem carro desde dezembro de 2017 e acredito até hoje que foi uma das melhores decisões que tomamos. Cheguei a listar mais de 25 itens que deixei de me preocupar desde que não tenho mais carro (lembra que eu comentei que o minimalismo também é ter menos estresses). Até financeiramente, ficar sem carro ficou mais vantajoso.

Outro item que abdicamos de nossas vidas foi a de não ter televisão em casa. Com isso, além de nos pouparmos mentalmente dos conteúdos televisivos, ainda economizamos com as assinaturas de TV a cabo. Hoje consumo apenas Netflix e Youtube. E estou bem com isso também.

Ser ou não ser minimalista, eis a questão?

Nenhuma mudança é fácil.

O ser humano é resistente à mudança e está na nossa natureza. Você não vai acordar amanhã e dizer: sou minimalista. Esse é um processo diário e gradativo. Pode até ser que você tenha essa mudança radical na sua vida de um dia para o outro, mas pode ser um pouco mais difícil.

Pense numa pessoa que quer entrar em forma. Essa pessoa não vai entrar em forma em uma semana. Um processo desses dura pelo menos três meses. Vai ser algo semelhante para o minimalismo: comece aos poucos.

Nosso processo de mudança foi gradativo e teve um marco: nossa viagem de um ano. A partir dali, ficou mais fácil essa transição para esse estilo de vida.

Será que essa pandemia no qual estamos passando pode ser a oportunidade, um marco e um empurrão para que você adote pequenos passos para esse novo estilo de vida?

Pesquise e leia mais sobre o assunto. Siga pessoas minimalistas. Perceba os valores.

Caso você queira saber um pouco mais sobre o assunto, assista o documentário Minimalist na Netflix.

Agora conta um pouco sobre você. Você já pratica o minimalismo? Quais práticas você já adota? Se não pratica, o que você acha dessa prática?

Fique bem!

Um abraço de Panda e até a próxima.

José Panda

José Panda é engenheiro "elétrico" aposentado com especialização em Gerenciamento de Projetos. Nascido, criado e estudado em São Luís do Maranhão. Apaixonado por viagens, fotografia e finanças pessoais. Realizou a primeira volta ao mundo em 2017 e planeja a próxima volta ao mundo em 2021.

2 thoughts on “Minimalismo: significado, experiência e um marco

  • maio 6, 2020 em 2:38 pm
    Permalink

    Admiro a coragem e a persistência de vcs!

    Resposta
    • maio 29, 2020 em 3:12 pm
      Permalink

      Obrigado, Bia. Você já pratica ou tem vontade de praticar o minimalismo?

      Por aqui estamos em eterno aprendizado. =)

      Resposta

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