Salar de Tara, um dos passeios mais lindos (e mais altos) no Atacama

O Salar de Tara foi o terceiro passeio que fizemos no Atacama. Foi um passeio cheio de altos e baixos, literalmente. De acordo com o nosso guia, durante o percurso chegamos a altitudes de até 5.000 metros. Por isso é importante estar bem aclimatado, tomar bastante água e não consumir bebidas alcoólicas na véspera do passeio. Tudo que vimos lá foi impressionante, de trazer lágrimas aos olhos de emoção.

O caminho para o Salar de Tara

O Salar de Tara fica a cerca de 140km de San Pedro de Atacama. A maior parte da estrada é asfaltada e bem sinalizada, mas um longo trecho nas proximidades, e dentro de Salar, é de terra e pedra. Por isso, é muito recomendado que você faça seu passeio apenas com guias (e guias credenciados gente, por favor). É um risco danado se perder por ali, onde nem sequer temos sinal de celular.

Nosso guia nos buscou por volta das 08h no nosso hostel. Fizemos algumas pausas para buscar o restante das pessoas e partimos pra estrada. Pouco depois de sairmos de San Pedro paramos em uma barreira policial. Nosso guia saiu do carro para apresentar documentos, voltou para a van e disse que ficaríamos parados ali por tempo indeterminado. Os policiais informaram que houve uma nevasca na noite anterior e que a estrada estava interditada até que fosse minimamente limpa.

Passamos cerca de 1 hora esperando dentro do quentinho da van e aproveitamos para conhecer os nossos companheiros de viagens. Nossa van estava cheia de brasileiros, chilenos e americanos. Acabamos fazendo amizade bem rápido, o que tornou nossa jornada ainda mais divertida.

Finalmente a pista foi liberada e pudemos seguir para o Salar de Tara. A princípio, a paisagem estava linda como sempre, mas nenhum sinal de neve ou gelo. Eu, desconfiada como sou, fiquei achando que o nosso guia tinha nos enganado e que na verdade ele estava sem alguma documentação importante quando foi parado.

Bastou subirmos alguns metros para darmos de cara com um cenário impressionante! Montanhas nevadas, a estrada cheia de neve, água congelada, tudo branquinho e lindo. Eu já contei pra vocês que eu amo neve? O que esperar de uma caboquinha de Manaus?

Paisagem coberta de neve no caminho para o Salar de Tara

Nosso guia fez várias paradas para que pudéssemos fotografar e admirar aquela beleza toda. Em uma das paradas, tomamos café da manhã ao lado de um lago congelado. Nós já tínhamos tomado café no hostel, ainda bem. Foi uma tarefa muito árdua colocar os dedinhos para fora da luva para preparar uma xícara de café naquele frio. Mas ao mesmo tempo, foi algo tão lindo que é difícil descrever.

Lago congelado no caminho para o Salar de Tara

Eu e o Fábio estávamos de tênis, os pés nada preparados para um frio daquele. Mas quando o guia disse que estava seguro pisar na lagoa congelada o Fábio não hesitou e foi lá tirar uma foto. Eu não tive a mesma coragem, já estava morrendo de frio com os pés sequinhos, imagina deixando eles úmidos.

Quem tem coragem de pisar no gelo? Eu não tive!

Voltamos para o carro e continuamos a nossa jornada. Tudo passou bem devagar, pois ainda tinha neve na estrada. Nosso guia dirigiu com bastante cautela e nos passou bastante confiança durante o trajeto. Em determinado ponto saímos do asfalto, entramos num caminho de barro e pedras que não fazia nenhum sentido pra mim, até que finalmente chegamos no Salar de Tara.

Finalmente, o Salar de Tara

Portal de entrada da Reserva Los Flamencos

Depois de muitas horas parados, muitas horas de estrada, neve, frio e gelo, nós finalmente chegamos a Reserva Nacional Los Flamencos, onde fica o Salar de Tara. Nossa primeira parada foi na Pedra do Índio (se você olhar a foto com atenção vai conseguir enxergar um índio com o rosto no lado esquerdo da pedra). Nosso guia nos fez cumprimentar o Monje de la Pacana com uma saudação estranha, dizendo que ele é o vigilante da reserva e quem o cumprimenta não se perde por ali. Quem sou eu pra duvidar né?

Não existe nenhuma delimitação de onde começa e onde termina o Salar de Tara, nós nos consideramos no Salar assim que chegamos na Reserva Los Flamencos. O legal do Salar de Tara é que ele não é um ponto específico que você visita tira fotos e vai embora. Na verdade é como se você estivesse literalmente no meio do deserto, com uma paisagem incrível em volta para admirar. Depois de caminhar um pouco e ver um pouco mais das formações rochosas, voltamos ao carro para explorar ainda mais o Salar.

Dá pra acreditar nessa paisagem?

As Catedrais de Tara

Ficamos no esquema, descer da van – passear – voltar pra van por um bom tempo, apreciando paisagens cada vez mais lindas. Até que chegamos nas famosas  Catedrais de Tara. O que pra mim, foi a coisa mais linda que vimos no Salar de Tara.

Catedrais de Tara
Catedrais de Tara – Que céu hein gente
Simplesmente encantada com as Catedrais, mas não deixe o sol te enganar: estava muito frio!
Eu fiquei super encantada com a Paja Brava, essa plantinha da foto

Laguna de Tara

Nossa última parada antes da volta, foi a Laguna de Tara, onde avistamos muitos flamingos e ficamos de queixo caído com o cenário. Parei alguns minutinhos ali, no meu canto para meditar um pouco e agradecer por ter tido a oportunidade de ver com meus próprios olhos coisas tão incríveis e maravilhosas.

Laguna de Tara
Os flamingos na Laguna de Tara

Depois de admirarmos a Laguna, chegou a hora de encarar a estrada e irmos almoçar. Confesso que foi um pouco triste aceitar que íamos embora, que o passeio estava acabando e que tão cedo eu não veria novamente nada daquilo.

O sufoco na volta do Salar de Tara

Lembra que eu falei pra vocês que uma parte da estrada é feita de barro e pedra? Depois de algum tempo andando pra lá e pra cá pelo Salar e tirando fotos, chegou a hora de voltar. Na volta o carro balançou demais devido a instabilidade da estrada. Isso associado a termos nos mexido muito durante o passeio causou um mal estar em vários passageiros da van. Eu e mais umas quatro pessoas ficamos muito, muito mal.

Uma das brasileiras que conhecemos nos ofereceu chá de coca, o guia parou o carro para que pudéssemos vomitar (desculpa pelos detalhes!). A descida rápida me deu muita dor de cabeça, senti a pressão baixar, dor no ouvido, pressão na cabeça. O mal estar durou até voltarmos a San Pedro para almoçar. A dor de cabeça passou, mas continuei sentindo um frio absurdo. Quando todos já tinham tirado os casacos, eu estava de luvas e tremendo.

Precisei de um tempo para me recuperar, e fiquei ótima. Compramos folha de coca para fazer chá e mascar, porque o passeio do dia seguinte seria ainda mais alto: Os Geysers del Tatio.

Dicas importantes para o seu passeio

  • Não somos cobrados para entrar no Salar (yaaay), isso porque não existe nenhuma estrutura física ali. Sabe o que isso significa? Não tem banheiro gente. Esteja preparado para usar a natureza.
  • A altitude e a estrada podem tornar o seu passeio bastante desconfortável, procure movimentar-se devagar, não correr, não pular e tomar bastante água. Se você estiver com medo, tome o chá de coca, ou masque as folhas.
  • Deixe o Salar de Tara para os últimos dias em San Pedro, assim você já vai estar mais aclimatado e vai lidar melhor com a altitude e o balanço. Ninguém quer passar mal durante a viagem, né?

Informações Gerais

  • Altitude: Durante o percurso chega até 5.000m, maior parte do passeio fica entre 4.800m.
  • Duração: Passeio de dia inteiro. Inclui café da manhã e almoço.
  • Preço: 50.000 pesos (não tem entrada uhuul!)

Você já visitou o Salar de Tara, ficou com vontade de visitar? Escreve pra gente aqui nos comentários!

Carmina Nascimento

Engenheira eletricista e apaixonada por livros. Nascida e criada em Manaus, morei um ano em Londres participando do programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras. Em 2016 realizei um dos meus maiores objetivos relacionados a viagem, o destination wedding.

4 comentários em “Salar de Tara, um dos passeios mais lindos (e mais altos) no Atacama

  • dezembro 13, 2017 em 2:07 pm
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    Olá, gostaria de saber qual foi a agência que realizou o passeio e qual o horário de retorno ao hotel, pois pretendo fazer este passeio no meu último dia (dia em que retorno) e o voo seria a noite, então gostaria de saber se daria tempo ou não. Adorei as dicas.

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    • dezembro 13, 2017 em 8:45 pm
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      Oi Dani,

      Nós fizemos todos nossos passeios com uma empresa chamada Janaj Pacha. Depois do passeio retornamos ao nosso hostel por volta das 16h. Se vai dar tempo ou não pra fazer no último dia depende do horário do seu voo, porque precisamos levar em consideração também o tempo do translado San Pedro – Calama.
      De qualquer forma, na empresa de turismo que você escolher eles vão te ajudar a montar um roteiro bem legal!

      Se puder, faça o Tour Astronômico <3

      Um abraço!

      Carmina.

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  • agosto 29, 2018 em 1:18 pm
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    Oi! Vou para atacama em novembro. Os demais passeios voces fizeram por conta de carro? O salar de tara faremos com agencia. Para os demais passeios, como é o sinal de celular? vamos alugar um carro e tenho medo dele quebrar no caminho e não termos comunicação.

    Obrigada

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    • setembro 7, 2018 em 4:56 pm
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      Oi Ana Paula!

      Todos os nossos passeios fizemos com agência. O único que eu recomendaria fazer por conta própria é o Valle da Luna, que fica bem pertinho de San Pedro. O restante, por ser afastado e com pouquíssima cobertura de sinal, acho um pouco arriscado.

      Ah, dois dos passeios não devem ser feitos por conta de forma alguma: O Salar de Tara (realmente 0 cobertura de sinal) e os Geisers del Tatio (este porque envolve dirigir durante a madrugada). 🙂

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