Coisas que você só vai descobrir quando resolver viajar por longos períodos

Antes de tirar um ano sabático – que acabou virando uma viagem de volta ao mundo – eu já tinha viajado bastante. Mas nunca tinha estado tanto tempo ininterrupto na estrada, carregando todos os pertences pra sobreviver por um ano, sem um lugar de apoio (também conhecido como casa).

Mas durante a nossa preparação e durante o tempo que passamos na estrada, fomos aprendendo várias lições. E eu trouxe aqui algumas delas para compartilhar com vocês.

1 – Acumulamos coisas demais

Não importa o tamanho do seu espaço. Quando você começar a organizar uma mudança, vai se deparar com inúmeras coisas acumuladas sem sentido nenhum. Apostilas de curso, roupas que comprou e não usou, papéis, panelas, eletrodomésticos. A gente precisa de bem menos do que imagina para viver. A prova disso é a quantidade de coisas que guardamos para “se um dia a gente precisar”.

Ao se preparar para uma viagem longa, a gente acaba se deparando com essa verdade. Tanto na hora de desocupar a casa (como foi meu caso), como na quantidade de coisas que a gente coloca na mala e não usa.

2 – Planejamentos são trilhas, não trilhos

Você organiza tudo direitinho, mas algo completamente fora do seu controle vai te fazer ajustar a rota. Não tem jeito, vai acontecer.

Só pra dar um exemplo, poucos dias antes do meu embarque para o ano sabático, a empresa de cartão pré-pago que eu escolhi para levar parte do dinheiro na viagem anunciou o fim das operações dos cartões emitidos no Brasil (lá atrás, em 2016, ainda não existia a Wise). Tive que resgatar o dinheiro, ir atrás de um plano B e ainda perdi algum dinheiro em conversões de moeda.

Além disso, coisas boas também mudam planos de viagem: pessoas que você conhece no caminho e que indicam um lugar que você nunca ouviu falar; promoções irresistíveis de passagem para aquele país que você não pensava em visitar, ou até mesmo uma boa oportunidade para se hospedar sem pagar pelas diárias.

Tenha sempre planos alternativos e aceite as mudanças de rota como parte da viagem (e da vida).

penang malásia
Malásia, um lugar que eu não planejei, mas fui e curti

3 – Sua casa pode ser uma fonte de renda

Livros, roupas, artigos de esporte, instrumentos musicais sem uso. Olhe ao redor e veja quantas coisas podem ser vendidas. Quando começamos a nos preparar para desocupar nosso apartamento, começamos a vender vários itens e conseguimos juntar mais de R$1.200 reais.

Isso sem contar que o próprio apartamento também foi uma fonte de renda.

Durante o tempo que estávamos nos preparando para nossa viagem de um ano, chegamos a alugar um dos quartos do nosso apê. Depois, durante a viagem, alugamos em um contrato anual. Mais recentemente, começamos a alugar por estadias mais curtas no Airbnb (o que tem sido bem mais lucrativo).

+ Leia também: Coisas que fizemos para juntar dinheiro para nossa volta ao mundo – incluindo algumas polêmicas

4 – Economizar sempre é possível

A gente sempre acha que já faz o máximo possível na questão economia, mas não tem ideia do quanto ainda pode economizar – e olhe que nunca fomos gastadores! Desligue as luzes dos cômodos que não estão em uso. Tome banho gelado. Passe menos roupas. Faça a caipirinha do fim de semana em casa. Veja menos tevê e leia mais livros. Vá para um cômodo ventilado da casa ao invés de ligar o ar condicionado. Vá menos vezes ao shopping.

Inclusive nós temos um artigo bem interessante sobre isso “Formas de economizar dinheiro para viajar“.

5 – Viajar leve é ótimo, mas não é fácil

Eu amo viajar apenas com mala de mão. Tudo flui mais fácil. Deslocamentos, check in e check out, aquele passeio na cidade enquanto o quarto ainda não está pronto. Sem contar que na maioria das vezes, é mais barato também.

Mas preciso confessar: não é fácil. A gente tem que desapegar de algumas roupas, não dá pra levar dos os produtos de pela/cabelo que gostaria, tem que escolher entre um sapato ou outro.

Realmente não é fácil, mas a gente vai aprendendo com o tempo. Só pra constar: na minha última viagem longa, que durou cerca de 4 meses, eu viajei com mala de mão, indo desde montanhas com neve até o calorão do litoral do Rio de Janeiro.

viagem com mala de mão
4 meses, incluindo neve e praia, sem bagagem despachada

6 – Depois de um tempo, parte das atrações turísticas começam a ser parecidas

Pode parecer meio presunçoso, meio que como se a gente tivesse “cansando de viajar”. Mas não é bem isso. É só que tem atrações que se repetem pelo mundo afora. Museus de cera, igrejas barrocas, aquários, e até mesmo praias.

Por isso, com o tempo a gente foi aprendendo a curtir um pouco mais as cidades sem precisar necessariamente ir pulando de atração em atração. A gente “perde mais tempo” caminhando pelas ruas, sentando num banquinho e apreciando a paisagem, e visitando atrações que sejam únicas, sem se preocupar em cumprir todo o check list do guia turístico.

7 – O mundo não é tão mau quanto você vê nas notícias

A gente liga a tevê e parece que só tem coisa ruim acontecendo no mundo. Mortes, assaltos, bombas, e pr aí vai.

“A Índia é perigosa demais”. “No Oriente Médio só tem guerras”. “Tem sempre uma bomba explodindo em um país muçulmano.”

Se um dia você der uma chance para você e para o mundo, vai ver que as coisas não são bem assim.

Precaução é importante, mas a gente já esteve em vários lugares que aparecem nos noticiários e pode garantir: às vezes a nossa própria cidade é mais perigosa do que aquele lugar que você tem vontade de conhecer, porém tem medo.

o que fazer em jaffa
Israel, um dos lugares “perigosos” do mundo

Qual a lição que você acha mais importante assimilar na sua vida? Aproveita e compartilha essa postagem com alguém que precisa aprender essa lição também.

Esse post faz parte do projeto Blog Every Day August, BEDA. Um desafio de postar no blog todos dias do mês de agosto. Leia mais sobre esse desafio no post de abertura. E confira também o índice com todos os posts já publicados do nosso BEDA 2022!

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